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Sobre fitovida

Associação de Desenvolvimento de Produtos da Sócio-Biodiversidade, fundada em março de 2008, com a finalidade de defesa, preservação e conservação do meio ambiente e a promoção do desenvolvimento sustentável.

Mulheres cuidam da saúde de comunidade com produtos naturais

As pesquisas e as comprovações dos benefícios das plantas que as gerações mais antigas já usavam apareceram.

Beatriz Castro Jaboatão dos Guararapes, PE

A cura pela natureza. Há mais de 30 anos, o médico naturalista Celerino Carriconde semeia informações e experiências sobre o uso das plantas medicinais. Ele foi um dos pioneiros a defender a fitoterapia nos serviços públicos de saúde. “O preço disso, no começo, foi tentar caçar o meu diploma”, diz.

Nada como o tempo, as pesquisas e as comprovações dos benefícios das plantas que as gerações mais antigas já usavam apareceram.

“Por que gastar dinheiro em tanto analgésico e anti-inflamatório se você tem a natureza que pode fazer isso?”, reflete o doutor Celerino.

O Centro Nordestino de Medicina Popular espalhou sementes por locais distantes e esquecidos. As hortas e as farmácias populares se multiplicaram por comunidades quilombolas, de pescadores, de agricultores, indígenas e chegaram às periferias das grandes cidades, e ao alcance de quem mais precisa.

O Centro de Saúde Alternativa da Muribeca – um bairro pobre, em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana do Recife – é mais conhecido como “a casa das sete mulheres”. São sete donas de casa da comunidade que se juntaram para contribuir com a melhoria de vida dos moradores da vizinhança.

“Se você pode vir comprar um remédio onde você tem a segurança, tem todos esses cuidados, e você sabe que vai surtir efeito para a sua criança, para você, então isso é importante. Eu acredito que as pessoas valorizam muito por causa disso”, comenta a dona de casa Giselda Alves da Silva.

E valorizam mesmo. A clientela está sempre pelo lugar. A produção é diversificada. Entre pomadas, tinturas e xaropes, as donas de casa produzem 40 produtos fitoterápicos. São cerca de 600 unidades por mês. A produção é sazonal. Depende da fase de desenvolvimento das plantas que fornecem as folhas, as flores, as raízes e os frutos – as matérias-primas da farmácia verde. É uma farmácia diferente. Os clientes são conhecidos pelo nome.

A professora Maria de Fátima Galindo sempre aparece em busca de fitoterápicos para ela, parentes e amigos. “Para a família toda. Para o pessoal de Petrolina, de Camaragibe, de Piedade”, diz. “Dá resultado, por isso que eu volto.”

O preço é simbólico. Varia de R$ 2 a R$ 6. O suficiente para manter a horta e a produção.

Kattalinny Garcez está desempregada e faz da casa das sete mulheres o pronto-socorro da família. A filha Luiza, de 3 anos, nunca fica sem o xarope feito a base de xambá, uma planta medicinal.

“Minha filha está entrando agora na fase escolar, então ela vai viver gripada. É um ótimo expectorante. Excelente”, garante.

O chá de amora miúra, que funciona como diurético, também não falta na casa de Kattalliny. Ela toma várias vezes ao dia.

“O resultado você vê de imediato. E tem a gratificação de ser uma coisa natural, um produto natural. O resultado eu não tenho nada de ruim para falar”, afirma.

A dona de casa Claudete Moraes foi em busca de uma multimistura que funciona como uma espécie de reposição hormonal. Leva germe de trigo, leite de soja, semente de linhaça, farinha de aveia e pó de amora. Ela aprovou. “Estou bem melhor, não sinto mais aquele calorão”, comemora.

A reposição hormonal natural é indicada para mulheres que estão na menopausa. As donas de casa foram capacitadas para extrair os princípios ativos das plantas. Em um pequeno laboratório, cercado de todo o cuidado com a higiene, elas produzem os fitoterápicos.

A dona de casa Carmelita Pereira da Silva, de 68 anos, oito filhos, já é craque na preparação de lambedores, tinturas e multimisturas.

“É uma atividade que está me fazendo muito bem. Me realizando como pessoa, com uma coisa que a gente acredita, porque, quando a gente acredita em uma coisa, a gente se sente mais estimulada a fazer”, diz.

Na horta, mais cuidados: não entram adubos químicos nem agrotóxicos. A produção é ecologicamente correta. O principal desafio destas mulheres é divulgar a forma correta de usar as plantas medicinais, porque, apesar de o uso ser muito antigo, cada planta tem seus segredos, os seus pequenos mistérios que as diferentes gerações foram descobrindo com o passar do tempo.

“Nós temos que observar a natureza, olhar a planta se ela realmente está sadia, e também tem que ter o horário. Se for uma planta que cheira, por exemplo, a gente tem que tirar logo cedo. Mas tem a questão também do capim santo. Ele cheira, mas a gente só pode tirar ele quando tiver o sol bem forte, porque o princípio ativo dele está mais presente. A planta tem energia como nós. Se ela está amarelinha, se está com alguma deficiência, você não pode colher porque está doente, então o princípio ativo dela não está correto”, explica Giselda Alves da Silva.

O pioneiro na divulgação do poder de cura extraído da natureza não desiste de um sonho: ele espera que um dia os pacientes possam sair dos postos de saúde com os remédios caseiros que as nossas avós já usavam.

“E é barato, eficaz e seguro, gerando renda de forma indireta para população”, diz Celerino Carriconde.

O doutor Celerino, aos 73 anos de idade, é um bom exemplo da medicina que ele defende. “Quero chegar aos 100 anos”, ri. “É a minha meta. Por enquanto está tudo bem. Todas as taxas normais. Disposição não falta.”

 
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Publicado por em março 2, 2012 em Uncategorized

 

‘Farmácia’ em casa: aposentada colhe remédios na horta do quintal

Dona Aparecida Ferrari diz que usa todas as ervas que planta.

Isabela Assumpção Paulínia, SP

É dia de aula em um herbário da Unicamp, que fica em Paulínia, no interior de São Paulo. É o maior herbário do país. Tem 500 espécies de plantas medicinais. Uma referência para quem se dedica ao assunto.

Um grupo foi aprimorar um conhecimento que já traz de longe. “Eu curava a tosse e a gripe dos meus filhos. Nada de médico. Ensinei para meus filhos. Mas têm preguiça”, diz a aposentada Maria do Carmo Santos.

É por isso que os velhos chás, como nós conhecemos, cada vez mais estão sendo estudados e transformados em medicamentos fitoterápicos. Em um centro de pesquisas da Unicamp, os especialistas vão mais longe ainda: buscam novas aplicações para plantas já conhecidas e investigam novas moléculas a partir das quais possam ser desenvolvidos novos remédios.

“O alecrim tem uso milenar para diversos problemas. Verificamos que realmente em modelos experimentais ele diminuiu bastante a incidência da úlcera, aumenta o conteúdo da glutationa, que é uma substância que age no estômago, protegendo o estômago contra agentes agressivos”, explica João Ernesto de Carvalho, coordenador da farmacologia CPQBA, da Unicamp.

“Nós verificamos que o extrato do guaco, o etanólico do guaco, diminui a secreção de ácido. E esse mecanismo é muito semelhante às drogas que hoje em dia se utiliza para tratamento de úlcera, de gastrite”, acrescenta João Ernesto.

Depois da aula, a aposentada Aparecida Ferrari convidou o Globo Repórter para conhecer a casa dela em Paulínia. Ela tem o privilégio de ter um quintal maravilhoso, onde ela reservou um canto que ela diz que é um cantinho. O local é uma verdadeira farmácia. Ela diz que usa todas as ervas que planta.

Cheia de energia, no auge dos seus 81 anos, dona Cida não nos deixa ir embora antes de mostrar uma das receitas preferidas dela: um suco de capim limão com hortelã.

“Essa aqui é erva cidreira. Muitos chamam de capim santo, outros chamam de capim limão”, explica dona Cida.

É simples. Dona Cida pica as ervas e bate no liquidificar com um pouco de água e gelo. Depois, coa e coloca em uma jarra.

 
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Publicado por em março 2, 2012 em Uncategorized

 
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Erva-mate combate colesterol ruim, diabetes e até emagrece

O chá provocou uma queda média de 10% a 12% no colesterol ruim durante uma pesquisa realizada pela UFSC.

Kíria Meurer Rio de Janeiro / Florianópolis / Xaxim, SC

Uma erva, muitas receitas e diferentes sabores de norte a sul do país. No Sudeste, a preferência é pelo mate gelado. Esta região consome 60% do chá industrializado no Brasil. No Sul, a erva-mate tem o doce sabor da tradição. Lá, ela é apreciada com água quente, na cuia. Você até pode tomar sozinho, mas bom mesmo é entrar em uma roda de chimarrão.

O padre Domingos Nandi ensaia o preparo. “Não estava acostumado a tomar chimarrão porque não é da minha cultura, mas confesso que passei a gostar. Não é difícil. ‘O gosto deste amargo te faz bem, faz bem para o colesterol também’”, define.

Saúde comprovada em laboratório. Uma equipe da Universidade Federal de Santa Catarina estudou as propriedades e os efeitos da erva-mate durante três anos. Ao todo, 250 voluntários com problemas de colesterol e diabetes participaram da pesquisa.

A recomendação foi a mesma para todos: beber um litro de chá feito com mate tostado, por dia, divido em três xícaras dez minutos antes, durante ou depois das principais refeições.

“A erva-mate, junto com estes alimentos, vai inibir a absorção do colesterol. Ou seja, o organismo absorve menos gordura”, explica a pesquisadora Brunna Boaventura, da UFSC.

Os voluntários usaram saquinhos com duas colheres de sopa de erva tostada. Quando a chaleira começa a chiar é sinal de que a água está no ponto. Ela não pode ferver. Tem que ficar em torno de 90ºC.

A mistura deve descansar por alguns minutos. A bioquímica Cristiane Coelho fez tudo direitinho. “No começo, foi mais difícil que eu achei um pouco amargo, mas depois de um mês já estava bem adaptada. Já estava até gostando do chá”, diz.

Depois de 40 dias, Cristiane descobriu que teve um dos melhores resultados do estudo. O colesterol dela era considerado alto: passava de 190. Ao final da pesquisa, esse número baixou para 106.

“Foi uma queda bem grande do nível do colesterol, passou para uma taxa normal”, conta.

O chá provocou uma queda média de 10% a 12% no colesterol ruim. “Nós encontramos voluntários que responderam bem à erva-mate e que a redução chegou a 40%”, afirma o coordenador da pesquisa, Edson Luis da Silva.

Surpresa maior foi o efeito da erva em quem já tomava o remédio para o colesterol. “A erva-mate potencializa o efeito do remédio porque os dois têm efeitos diferentes. Enquanto o medicamento diminui a produção do colesterol pelo organismo, a erva-mate diminui a absorção do colesterol que está nos alimentos”, acrescenta Edson.

O colesterol de Domingos estacionou nas alturas. Vinte dias depois de começar a tomar a erva-mate, a taxa caiu de 268 para 198.

“Se fosse dobrada a medicação para o colesterol, esta diminuição ia ser de no máximo 7%. Enquanto com a erva-mate foi quatro vezes maior esta redução do colesterol ruim”, aponta Brunna.

“Esta potencialização do medicamento provocada pela erva-mate pode levar no futuro à redução da dose do remédio para colesterol. Porém deve-se salientar que isso deve ser feito sempre com acompanhamento médico”, ressalta Edson.

Os pesquisadores descobriram que a erva-mate tem um número de propriedades antioxidantes maior até que o chá verde.

“Alguns resultados foram inéditos, como este, em nível celular, fazendo com que as células produzam, por exemplo, suas próprias substâncias antioxidantes”, diz o pesquisador Marcos de Oliveira Machado, da UFSC.

Os antioxidantes combatem os radicais livres, que provocam o envelhecimento precoce. “É possível acreditar que, a longo prazo, ocorra uma redução das doenças crônico-degenerativas, principalmente o envelhecimento precoce, alguns tipos de cânceres e o próprio diabetes”, diz Edson.

Os voluntários com diabetes tomaram o chá-mate durante dois meses e tiveram uma queda média de 10% na produção da glicose.

“Reduz as complicações do diabetes, que seriam as doenças cardiovasculares, doenças renais, problemas na visão e problemas nos nervos”, afirma a pesquisadora Graziela Klein.

“A princípio, qualquer pessoa pode tomar a erva-mate. Porém, algumas que são mais sensíveis a ela podem apresentar alguns efeitos colaterais, como, por exemplo, dor de estômago, irritação na boca, insônia e até mesmo taquicardia”, alerta o professor Edson.

O mate é uma erva tipicamente brasileira. As maiores plantações estão no Sul do país. A produção chega a 200 mil toneladas por ano. As folhas verdinhas estão prontas para a colheita. É um processo delicado, feito de modo artesanal, galho a galho.

De qualquer forma, verde ou tostada, no chá gelado ou no chimarrão, a erva-mate mantém as propriedades que combatem o colesterol e o diabetes. Os pesquisadores só não sabem dizer qual o tamanho da redução, já que o estudo foi feito apenas com chá-mate quente tostado, consumido sempre junto com as principais refeições.

“A gente escolheu a tostada justamente porque ela tem uma maior aceitação pelo público”, explica a pesquisadora Brunna.

“A verde é bem mais amarguinha, e a tostada é mais fácil de tomar, mais docinha”, opina a bibliotecária Márcia Teixeira Pinto.

Doce foi a surpresa de Márcia quando subiu na balança dois meses depois de começar a tomar o chá. Ela conseguiu emagrecer quatro quilos só tomando o chá.

“As substâncias presentes na erva-mate podem acelerar o metabolismo do organismo, provocando inclusive uma maior queima de gordura e, em última instância, uma diminuição do peso corpóreo”, aponta Edson.

Este deve ser o futuro da erva-mate. Os pesquisadores estão testando cápsulas à base do extrato seco da erva. É uma forma de facilitar o consumo, já que nem todo mundo aprecia o gosto do chá.

“Daqui a um ou dois anos a erva-mate pode ser considerada um remédio ou um suplemento alimentar. A longo prazo, considerada um alimento funcional”, afirma a pesquisadora Aline Stefanuto.

 
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Publicado por em março 2, 2012 em Plantas Medicinais

 

Pesquisadores e moradores se unem para identificar plantas medicinais

É na diversidade da flora brasileira que as populações ribeirinhas encontram tratamento para a maior parte dos problemas de saúde

Eunice Ramos Poconé, MT

A aula de hoje é sobre a natureza. Mais precisamente, sobre as plantas medicinais. Alecrim, paratudo, gervão… Complicado? Não para quem vive desde que nasceu na região de Poconé, em Mato Grosso. A professora Maria Evódia do Nascimento dá essa aula com muito prazer. As plantas medicinais fazem parte da vida dela.

Ela mora a quatro quilômetros da escola. Todo dia ela faz o mesmo trajeto e fica muito atenta a tudo que está em volta no ambiente. Para qualquer pessoa, parece apenas a vegetação típica da região, mas para ela tudo tem um significado.

“Essa aqui é o cajuzinho do campo. Ela é uma planta muito usada para dor de dente e também para diarreia”, analisa dona Maria Evódia. “A gente usa a folha ‘lixeira’ para pneumonia, uma doença muito perigosa. Ela é rápida para curar.”

Como é rica a flora pantaneira. Nela, é possível encontrar plantas com características também do cerrado, da caatinga e da floresta amazônica – um pouquinho de cada bioma brasileiro. É nessa diversidade que as populações ribeirinhas encontram tratamento para a maior parte dos problemas de saúde. A dona de casa Maria dos Santos de Moraes veio de longe com os três filhos se consultar com dona Maria Evódia.

Da casa de dona Maria Evódia ninguém sai sem um chazinho. Um, não. Vários! Perto dali, também na região de Poconé, a raizeira Maria Teodora da Silva tem sempre alguém batendo à porta dela em busca de tratamento. Muitas plantas medicinais podem ser tóxicas e devem ser tomadas na dose certa.

“O meu pai conhecia e entendia de muitas plantas, conhecia muitas qualidades. E aí a gente foi pegando esse conhecimento, crescendo e interessando”, conta dona Maria Teodora.

De facão em punho, dona Maria Teodora não titubeia na hora de sair para colher as plantas que precisa para renovar o estoque.

“A guanandi é antiúlcera”, ensina. “Tem a casca, o bem de cima que tem que jogar fora. Aí é a entrecasca, que é rosada, que é usada para o chá. Limpo tudinho, corto o pedacinho pequeno e aí já fica pronto para o chá. Funciona e muito. É bom de mais.”

“Essa aqui é a jequitibá, que é usada para muita coisa, inclusive eu uso para anti-inflamatório”, continua. “De útero, de ovário, é uma beleza, é usado bastante. Eu quase não fico sem. Se eu fico é um dia ou dois, porque é muito valiosa.”

Tamanho conhecimento chamou a atenção da Universidade Federal de Mato Grosso. A farmacêutica Isanete Bieski, da UFMT, diz que, das pessoas que entrevistou na comunidade, 99% usam plantas para chá. “Das 262 pessoas que eu entrevistei, 259 utilizam plantas.”

Há quatro anos os pesquisadores investem em um projeto que busca comprovar cientificamente a ação as plantas usadas pela população local. Dona Maria Evódia ajudou a identificar 220 plantas. Mas dona Maria Teodora superou todas as expectativas.

“Nas entrevistas que nós fizemos com ela, ela foi a informante número um em número de plantas, e me relatou 250 plantas que ela utiliza”, revela a pesquisadora Isanete.

O estudo é minucioso e passa pela identificação correta de cada planta. Hoje é a vez da calunga. “É uma das plantas de maior importância para a comunidade, foi citada por várias pessoas”, explica Isanete.

Depois de colhida, a planta é colocada em uma prancha. Após a secagem, ela vai para um grande arquivo para ser estudada e identificada em todas as suas partes. Um trabalho para o Libério Amorim Neto, que é parataxonomista, especialista em identificação de plantas há 37 anos. Mas bem antes disso ele já conhecia as plantas medicinais.

“Eu vim conhecer medicamento de farmácia aos 14 anos. Era só na base dos chás, que minha avó fazia garrafadas”, lembra seu Libério.

Das plantas estudadas há mais de dez anos pelos pesquisadores, três já têm a eficácia comprovada para tratar úlcera, dor e inflamação. Seus nomes ainda são mantidos em sigilo, porque elas aguardam o registro de patente.

“Todas estas plantas não eram estudadas, portanto são plantas inéditas e que agora nós encerramos os estudos pré-clínicos”, explica o farmacologista Domingos de Oliveira Martins, professor da UFMT.

O resultado dos testes com duas das plantas em ratinhos com úlcera é impressionante. Em um ratinho que recebeu apenas água, a úlcera não se alterou. No animal que recebeu tratamento com uma planta, houve uma diminuição. No terceiro rato tratado com outra planta também houve a diminuição da úlcera.

“É notável, principalmente quando a gente verifica a abertura desses estômagos. Muitas vezes o efeito da planta é superior aos efeitos já conhecidos da substância padrão”, aponta a pesquisadora Daniele Tavares de Almeida.

Atualmente, só 66 plantas medicinais fazem parte da lista aprovada pela Anvisa. Porém, a maioria não é nativa do Brasil.

“É preciso estudar as plantas aqui do cerrado, do Pantanal, da floresta amazônica para que elas possam depois, no futuro, fazer parte desta lista e ser desenvolvidos medicamentos para combater as enfermidades da população”, conclui Domingos de Oliveira Martins.

 
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Publicado por em março 2, 2012 em Plantas Medicinais

 

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Mulheres com alergias e problemas circulatórios recorrem à fitoterapia

Em um posto de saúde de Campinas, um dos 74 da cidade, tratamento com fitoterapia é uma prática bastante comum

Isabela Assumpção Campinas, SP

Caminhar quase cinco quilômetros por dia para entregar encomendas. E as tarefas diárias: costurar para fora, limpar e arrumar a casa… A rotina da costureira Maria Odete Borges da Silva é dura. Ainda mais porque ela tem uma ferida na perna, causada por problemas circulatórios.

“Começou ficando vermelha. Abriu uma feridinha, aí foi só aumentando. Sinto bastante dor. Tem hora que não aguento. Tem que parar, porque você está vendo o serviço e tem que parar. Descansar um pouco a perna porque não aguenta”, lamenta dona Odete.

Para Marina Isidoro Vieira, de 8 anos, o verão é a pior época do ano. O calor de quase 40ºC provoca coceiras no braço e no nariz. Ela tem uma alergia que volta e meia torna a aparecer.

“Ela teve uma irritação grande no nariz, chegava a coçar muito, até sangrar”, lembra Janete Isidoro Vieira, mãe de Marina.

Odete e Marina são de gerações diferentes, mas encontraram o mesmo caminho para tratar suas doenças: a fitoterapia. Elas moram em Campinas, onde funciona o programa Botica da Família, tratamento de graça para a população. O programa já tem oito anos e manipula mais de sete mil fórmulas por mês.

“Quando você toma o medicamento fitoterápico, você vai estar se beneficiando dos vários princípios ativos da planta, que é um princípio diferente do alopático, que é sempre um princípio ativo isolado”, explica Marli Ribeiro, coordenadora de farmácia de manipulação.

Até que ponto é possível tratar um problema de saúde com chás medicinais e remédios fitoterápicos? Depende. Cada caso é um caso. Mas em um posto de saúde de Campinas, um dos 74 da cidade, este tipo de tratamento é uma prática bastante comum. Os médicos sempre que possível dão preferência à fitoterapia. E não são poucos os motivos.

“Uma medicina mais barata, uma medicina que é mais eficiente, que não traz efeitos colaterais, na minha opinião é muito melhor para a gente que utilizar os medicamentos alopáticos normais. Mas tem que ser um médico”, opina o pediatra Ruy Madsen.

Dona Odete começou o tratamento no posto há seis meses. Ela está usando uma pomada de hamamélis receitada pela clínica geral Luiza Salles. Depois de 12 anos de sofrimento, a perna dela melhorou. Agora, para ficar totalmente boa, só falta um detalhe: repouso.

Marina faz o acompanhamento dela com o doutor Ruy. A receita para curar a alergia é um tratamento que cuida da alimentação. A pomada de calêndula é para evitar as coceiras. Hoje, quem olha o bracinho dela nem vê sinal de machucado.

“Sempre, com o tempo seco, ela sempre tem esta irritação, mas não chega a sangrar que nem antes”, diz a mãe.

“A gente tem usado com muita frequência os fitoterápicos, sempre com muito benefício, principalmente nas crianças, em que a gente tenta evitar usar medicamentos potencialmente perigosos, com efeitos colaterais que podem ser muito graves e que podem até prejudicar o paciente ao invés de beneficiar”, diz Ruy.

E como as plantas medicinais já ajudaram dona Aparecida… Hoje, com 73 anos, ela tem uma vida para lá de ativa. Faz aulas de ginástica, faz crochê e participa do grupo no posto de saúde há quatro anos. Gosta tanto dos chás e dos remédios fitoterápicos que já se tornou amiga da doutora Luiza.

Dona Aparecida tem a saúde sob controle. A única queixa é a dor nas articulações. Tudo por causa de uma artrose, que a arnica tem dado um jeito.

“Usa gel ou creme de arnica à noite, passa nas articulações que mais doem – ombro, cotovelo, punho, joelho. Este uso contínuo tem ajudado bastante”, ensina a doutora Luiza Salles.

 
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Publicado por em fevereiro 29, 2012 em Uncategorized

 
 
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